Make your own free website on Tripod.com

Luís Aguilar
JJ
SUGESTOPEDIA:

um Método Revolucionário de Ensino e Aprendizagem
de Línguas Estrangeiras


por

Luís Aguilar


Eis os princípios essenciais a ter em conta
no processo de ensino e aprendizagem de uma língua estrangeira:
a alegria, a ausência de tensão e a máxima concentração da atenção.

Georgi Lozanov



Jean Lerède e Georgi Lozanov

Um dos traços mais marcantes da Sugestopedia é, com efeito, o uso sistemático de certos meios, particularmente
o jogo de papéis,
que facilita, ou é suposto facilitar, a apropriação da estrutura de uma nova língua.

Jean Lerède, 1983, p.223

 
Dr. Georgi Lozanov
Developer of the Suggestopaedia

What is Suggestopaedia?

 
O que é a Sugestopedia por Lonny Gold em francês

 
Exemplo de apendizagem de uma aula de francês com Lonny Gold

 

 

 

Neste pequeno texto, iremos descrever, resumidamente, os fundamentos, as principais características e algumas atividades paradigmáticas de um método eficaz, inovador e revolucionário de ensino e aprendizagem de uma língua estrangeira, criado por Georgi Lozanov e descrito por Jean Lerède: a Sugestopedia, uma Ciência da Educação, resultante da aplicação didática e pedagógica de uma outra ciência da vida psicológica, a Sugestologia, fundamentada esta em estudos sobre a Sugestão.

Sugestão

Se é verdade que Binet (1900) e Bernheim (1916) tinham já falado, respetivamente, na sugestibilidade e na sugestão, referindo-se ambos à aptidão do cérebro para receber ou evocar ideias, transformando-as em atos e que tudo o que age sobre o psiquismo é sugestão, não é menos verdade que, só a partir dos estudos de Lozanov (1964) se começou a medir a importância dessa ação (Saféris, 1980, p.22), tendo-se, então, constatado que o meio age sobre o indivíduo por sugestão, ou seja pela interação entre a atividade mental inconsciente e o meio (Lozanov, 1983, p.114): É uma característica do cérebro humano, que tende a transformar em atos, sentimentos ou estados de consciência duráveis, qualquer ideia, imagem ou impressão "aceites" pelo inconsciente. (Lerède, 1980, p.14). Por isso, Lozanov centra a sua atenção nos aspetos subliminares presentes na comunicação do indivíduo com os outros, com os objetos e com o meio. Porque impercetíveis, esses aspetos subliminares manifestam-se no indivíduo de forma inconsciente, mas permanecem, paradoxalmente, bem presentes na sua vida mental. Poder-se-á dizer que o diálogo consciente/inconsciente estudado por Lozanov se traduz no turbilhão interior de imagens, sensações, desejos, que ocupam permanentemente a nossa atividade mental. Se tivermos consciência dos aspetos subliminares presentes na nossa interação com os outros e com o meio, esse diálogo interior torna-se mais profundo e tem inegáveis reflexos nos nossos esquemas de pensamento e ação. Para Lozanov, a sugestão está presente em todas as áreas da vida, sendo um elemento constante, consciente ou inconsciente, na comunicação com os outros.


Sugestologia

Deve-se ao psiquiatra búlgaro Georgi Lozanov, fundador do Instituto Sugestológico de Sófia, em 1966, a criação de uma, então, nova ciência humana da vida psicológica, a Sugestologia, a partir dos estudos que dirigiu sobre a qualidade universal da personalidade na qual se exercem as inter-relações inconscientes entre o homem e o meio que o cerca.

A Sugestologia é a ciência das comunicações inconscientes, subliminares, responsáveis pela ativação das reservas ou potenciais do ser humano e o seu objeto de estudo é a personalidade e a sua complexa inter-relação com o meio ambiente. Pela ênfase que, segundo muitos autores, a Sugestologia confere à atividade mental inconsciente pode ficar-se com a impressão de que a atividade consciente, racional, crítica, pragmática e objetiva, comandada pelo lado esquerdo do cérebro, seja ofuscada pela abordagem subjetiva, abstrata, intuitiva, mítica, divergente, inconsciente, subliminar, comandada pelo lado direito do cérebro. Contrariando esta visão simplista e redutora, a Sugestologia defende o diálogo consciente/inconsciente. O objeto luminoso e a sua sombra, eis a expressão escolhida para dizer que o consciente e o inconsciente são indissociáveis e trabalham em conjunto e que a abordagem da realidade é tanto mais eficaz, quando feita pela totalidade do cérebro, de preferência pela sua programação sugestiva.

Lozanov propôs-se aplicar alguns princípios sugestológicos ao ensino, em geral, e ao de línguas estrangeiras, em particular, criando, para o efeito, a Sugestopedia, a qual viria a dar origem ao Método Sugestopédico, que sucintamente, vamos descrever.


Sugestopedia e Método Sugestopédico

Os elementos de ordem geral que se encontram presentes em muitos métodos ativos do ensino de línguas tais como os que privilegiam a ação, a expressão/comunicação, a inclusão das componentes culturais e artísticas são reforçados com a aplicação dos princípios específicos do método sugestopédico: a alegria, a ausência de tensão, a unidade do consciente e do inconsciente, a ativação de reservas da personalidade, o apelo constante ao desenvolvimento pessoal, a comunicação subliminar e a interação sugestiva.

O Método Sugestopédico baseia-se na sede de aprender do estudante, na estimulação rápida e sem esforço e está organizado de tal maneira que as funções conscientes e inconscientes, os aspetos lógicos e os emocionais da aprendizagem e a ativação de potenciais humanos estejam presentes na orientação do professor.
No relatório que elaborou para a UNESCO, em 1978, Lozanov considera, por um lado, que a educação, o ensino e o desenvolvimento pessoal deveriam ser considerados uma só realidade e, por outro lado, que não se deve dissociar o processo de comunicação dos conteúdos de ensino; pelo contrário, estes estão intimamente relacionados com aquele: Há que observar com cuidadoso rigor as consequências positivas e negativas que têm a linguagem utilizada pelo animador e os comportamentos que adota em relação aos participantes e à aprendizagem. (Dufeu, 1996, p. 69).

É certo que o método sugestopédico, como muitos outros métodos, visa a implicação de cada participante na sua globalidade cognitiva, afetiva e psicomotora, mas o que o distingue dos outros é o facto de conferir uma especial atenção ao psiquismo profundo do indivíduo em formação - uma espécie de zona de sombra onde se jogam os sucessos ou fracassos na aprendizagem de uma língua estrangeira.

A Sugestopedia aparece ligada ao ensino de uma língua estrangeira e a sua eficácia é hoje incontestada. Sabe-se que pelo método sugestopédico os alunos aprendem mais depressa e melhor do que pelos métodos tradicionais: os estudantes assimilam, em média, mais de 90% do vocabulário que compreende 2000 unidades lexicais por cada curso de 96 horas; mais de 60% do vocabulário novo é utilizado ativamente e de maneira fluida na conversação de todos os dias e o resto do vocabulário apreendido através da tradução; os estudantes exprimem-se tendo em conta a gramática fundamental e podem ler qualquer texto (Lozanov, 1978, pp.321-322). Temos verificado, nas atividades sugestopédicas que temos tido a oportunidade de propor aos nossos estudantes que, pelo Método Sugestopédico, eles aprendem mais depressa e melhor do que por atividades tradicionais e que, quando se submetem a testes gerais de avaliação, têm melhores resultados, tanto nas produções escritas como na expressão oral. As relações que os estudantes estabelecem entre si nas aulas prolongam-se em atos de solidariedade, camaradagem, amizade no universo académico e no das relações sociais em geral.
O Método Sugestopédico foi reconhecido, em 1978 pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), recomendando a sua promoção e difusão, propondo, ao mesmo tempo, um investimento na formação de professores capazes de aplica-lo. Desde então, passou a ser ensinado no mundo inteiro com grande eficácia e consequente sucesso.

Para além da sua prática no ensino de línguas estrangeiras, a Sugestopedia pode ser aplicada a todas as formas de aprendizagem: na formação técnica do pessoal das empresas públicas e privadas, no ensino de matérias com forte pendor na memorização, como é, por exemplo, o caso da medicina, do teatro, dos cursos de alfabetização, em cursos em que se requer o desenvolvimento da personalidade, da criatividade, do autoconhecimento e, também, em situações de reeducação, como o trabalho com delinquentes juvenis ou com crianças sobredotadas, no treino de atletas, etc., como bem se pode deduzir pela descrição das atividades representativas do ensino sugestopédico, que apresentaremos mais abaixo.

Lozanov identificou três tipos de bloqueios ou barreiras que o adulto constrói ao longo do seu percurso existencial e que se tornam obstáculos maiores à aprendizagem em geral e à aprendizagem de uma língua estrangeira em particular: A tensão extenuante e, por vezes, angustiante verificada na maior parte das práticas pedagógicas provêm, muitas vezes, da insegurança do estudante, da falta de confiança nas suas próprias capacidades de compreensão, de memorização e de utilização da informação nova que lhe é fornecida (Lozanov, 1976). As barreiras lógicas, que se expressam por pensamentos pessimistas e que só à primeira vista parecem lógicos (Como é possível aprender 50 novas palavras em 15 minutos? Aprender é uma coisa sempre muito difícil e complicada que exige muito tempo!); as barreiras afetivas que se traduzem, muitas vezes, pela falta de confiança em si próprio (Não tenho jeito nenhum para aprender línguas! Não consigo fazer isso! Sou inibido!) e as barreiras éticas que consistem nos valores adotados pelo indivíduo e que contrastam ou conflituam com os dos outros, nomeadamente sobre a conceção do mundo e do homem (Sou por um Quebeque livre; Os Muçulmanos ameaçam o Ocidente).

Ao considerar que as várias barreiras, obstáculos ou bloqueios dificultam ou paralisam a aprendizagem, Lozanov propõe que se faça um trabalho no sentido de removê-los ou atenuá-los através da utilização planificada da sugestão e da autossugestão, fundamentadas nos princípios da autoridade, do retorno à infância, do duplo nível da comunicação e da centração nos interesses e necessidades de quem aprende uma língua estrangeira.

A importância em redescobrir a alegria e o prazer de aprender, num ambiente sem tensões e sem contrariedades, é uma preocupação permanente e dominante do método sugestopédico, que se baseia na sede de aprender do estudante e na rápida aquisição de competências não só linguísticas como comunicativas e, neste contexto, preconiza uma grande concentração da atenção e, paradoxalmente, uma ausência de esforço e sofrimento. Com efeito, ao estudar a forma como as múltiplas solicitações do meio ambiente atuam sobre o psiquismo de forma inconsciente, Lozanov propõe a utilização de três tipos de meios no processo de ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira: psicológicos, didáticos e artísticos. A sua principal preocupação é restituir ao aprendente a confiança em si próprio e proporcionar-lhe o conhecimento dos seus bloqueios interiores, bem assim as causas que os provocaram e, a partir daí, por meios simultaneamente globais e sintéticos, facilitar a aprendizagem da língua, fazendo recurso a canções, filmes, peças de teatro, suscetíveis de motivarem intensamente os participantes para a aprendizagem de noções elementares da língua estrangeira que estão a aprender. O Método Sugestopédico reconhece a necessidade de um bom ambiente e de um clima descontraído, coloca a ênfase na sugestão e na comunicação, considera importante a remoção das barreiras de ordem intelectual, afetiva e ética à aprendizagem da língua e suscetíveis de dificultar a aprendizagem, sugere a transformação das associações negativas ligadas a experiências de aprendizagem anteriores, confere uma significativa importância aos fatores subliminares que influenciam a perceção global e defende uma perspetiva de Educação pela Arte e o desenvolvimento pessoal e cultural dos participantes, promovendo, ao mesmo tempo, a acuidade sensorial e a sensibilidade.


O Professor Sugestopeda

Muitos professores universitários e responsáveis de programas de cursos de línguas têm revelado uma alegre facilidade na utilização de técnicas oriundas da Sugestopedia, ao mesmo tempo que demonstram uma extrema dificuldade em compreender os seus fundamentos, isto é, perceber que o ensino sugestopédico exige um conhecimento aprofundado e refletido dos fundamentos psicológicos, fisiológicos, didáticos, artísticos, etc. que dele fazem parte. Por outro lado, outros, em sentido inverso, parecem esquecer-se de que a teoria não é sinónimo de abstração, sem relação alguma com as realidades pedagógicas, e desenvolvem sem nuances e com tranquila ignorância, longas dissertações sobre o método, sem terem em conta a sala de aulas, onde o mesmo se aplica. É sempre atraente a utilização de determinadas técnicas, geralmente definidas como informais - técnicas de trabalho de grupo, jogo de papéis etc., - técnicas que muitas vezes os professores não compreendem na sua essência e se as utilizam é com o folclórico objetivo de conferir uma animação àquilo que não tem alma: o ensino convencional, fortemente marcado pelo concreto, pelo gramatical, pela incapacidade de perceber a necessidade de ativar reservas da personalidade, removendo bloqueios e resistências pessoais, etc. que experimenta um aprendiz de uma língua estrangeira.

Eis o que pede Lozanov aos professores sugestopedas, a quem atribui um papel preponderante na consecução dos objetivos visados no desenvolvimento de uma aprendizagem sem esforço, mas em plena concentração, tendo em linha de conta o que se passa no meio e no universo das relações sociais: criar um ambiente descontraído, promover uma relação empática e compreensiva, adequar o seu estilo de comunicação, estar sempre em forma, começar a acabar uma aula pontualmente, adotar uma atitude solene durante a duração da aula, manter um tom emocional entusiasta sem, contudo, exagerar, concentrar-se mais na forma como diz as coisas do que naquilo que propõe, sugerir o que verdadeiramente cada estudante deseja aprender, criar material didático específico, único e inovador, desde a conceção de arcas e caixas de materiais, de acordo com as competências globais (compreensão e expressão) e específicas (fonológicas, lexicais e gramaticais) visadas em cada aula.

A formação que tem de ter um professor sugestopeda para que desempenhe os vários papéis que nas aulas lhe são exigidos é significativamente eclética: professor, psicólogo, animador de grupo, psicoterapeuta, ator, artista, etc.. Pudemos identificar, nas aulas de Jean Lerède - a que tivemos o privilégio de assistir - este desempenho de homem-orquestra.

Aos professores sugestopedas que ele próprio formou, Lozanov pedia que estivessem sempre em forma, com sede de comunicação e que se comportassem como atletas da afetividade.
Não chega uma vida inteira para formar professores sugestopedas, desde logo pelo facto de serem utilizadas técnicas subjetivas que contrastam com as técnicas objetivas desenvolvidas numa formação clássica de professores de línguas.


Atividade Sugestopédicas

Vamos descrever algumas atividades paradigmáticas do método sugestopédico, atividades que se caracterizam pela prevalência do autoconhecimento sobre os conteúdos gramaticais, lexicais, vocabulares, etc., a transferência de conhecimentos para situações de comunicação, a centração na pessoa do estudante, a condução ao êxito na aprendizagem, pela autossugestão positiva e pelo reforço da autoestima, mobilizando, para o efeito, fatores poderosos do inconsciente.



O Acolhimento

Doze participantes, seis do sexo masculino e seis do sexo feminino - que geralmente integram um grupo de aprendizagem pelo método sugestopédico - vão durante 96 horas, à razão de 4 horas por dia, distribuídas por 24 dias, aprender as bases de uma língua estrangeira. São recebidos numa sala com cadeiras confortáveis, tipo cadeiras de avião dispostas em semicírculo. Começam por ser informados, num clima descontraído, que vão aprender cerca de 2000 unidades lexicais e que devem ler, depois de cada sessão, antes de se deitarem, um texto de base sugestopédica, durante 15 a 20 minutos, texto que lhes será entregue pelo professor no fim de cada aula. Nas paredes, encontram-se vários cartazes sugestivos, com imagens e palavras do país da língua de aprendizagem, assim como quadros com nomes e adjetivos ou a conjugação de verbos, frases-chave da língua-alvo, etc. O professor pede aos participantes que sejam pontuais e que apenas lhes será permitida uma falta e aconselha-os a levarem uma vida sã, a deitarem-se cedo e a evitarem situações de tensão traumatizantes.

Realça-se, aqui, a importância conferida pelo método sugestopédico de Lozanov a um clima agradável de aprendizagem, por outro lado e por outro, ao estímulo à atividade periférica inconsciente.


A Apresentação

O professor cumprimenta cada participante e apresenta-se com um nome, local de nascimento e profissão fictícios, originários de um país onde se fala a língua de aprendizagem. Os estudantes escolhem, igualmente, um nome fictício, uma profissão e um local de nascimento, relativos a um país onde se fala a língua que vão aprender. Para os que não tenham conhecimento de nomes, cidades, profissões, etc., do país onde se fala a língua-alvo, o professor distribui listas escritas na língua de aprendizagem com nomes, profissões, cidades…

O professor retoma regularmente a personagem que cada um escolheu no início do curso, colocando várias questões sobre a sua personalidade, com o fim de espicaçar e incentivar a sua melhor definição, podendo alargar ao resto do grupo, a colocação de questões. Naturalmente, cada participante procurará, pelos meios que entender, informar-se sobre locais, iguarias, acontecimentos sociais da região e época em que vive ou viveu a sua personagem, construindo assim a sua ficção. Não raras vezes, o professor em cada aula dedica um momento de 20 minutos para este tipo de exploração, que pode abranger apenas a personagem de um participante por sessão, sem prejuízo da manutenção de cada personagem durante todo o tempo de duração do curso, por parte de todos os aprendentes.


 


Contar Histórias e Narrar Eventos

Antes de introduzir o tema de cada sessão, o professor, durante cerca de 30 minutos, explica os aspetos do funcionamento da língua necessários à compreensão do texto da lição, dando informações lexicais, fonéticas, gramaticais, recorrendo, igualmente, à descrição de pessoas, lugares, objetos, obras de arte, etc. para situações de aplicação imediata: descreve, em pormenor, uma casa típica, a que seguem perguntas na língua-alvo sobre a casa de cada um dos estudantes; narra uma viagem que fez, para pedir, de seguida, a narração de viagens que os participantes já tenham realizado.

Questionamentos

Um momento importante de cada sessão é aquele em que cada participante responde a questões que se encontram num pequeno cartão: Quando? Porquê? Para quê? Com quê? Com quem? Para um grupo de 12 estudantes haverá 3 cartões com a mesma pergunta cujas respostas o professor recolhe, agrupando-as em séries de 3. Em cada série haverá 3 respostas para cada uma das questões e lê as frases produzidas, cujo conteúdo será, em princípio, desprovido de lógica, salvo se à partida for imposto um tema. Se o grupo for maior e ficarem de fora, por exemplo, dois dos estudantes, caberá a estes a tarefa de criarem novas associações e, consequentemente, novas frases. O objetivo da presente atividade é produzir diálogos criativos a partir da relação bipolar pergunta - resposta.


Conjugação de Verbos em Coro

Outro momento característico do método sugestopédico é o da conjugação de verbos em coro: O professor pede aos estudantes que, em coro, conjuguem vários tempos de alguns verbos, salientando as especificidades e as diferenças que os mesmos apresentam, na língua estrangeira, dando exemplos. Constroem, depois, frases para cada um dos verbos conjugados. Com as frases produzidas e, em grupos, criam uma história, recorrendo, se necessário, a frases de ligação.



Exploração de Textos

O professor apresenta o texto da sessão dividido em várias partes, cabendo a cada participante a leitura de uma delas em voz alta, geralmente, pequenos diálogos, tirados de vários textos de autor que refletem uma conceção fundamentalmente positiva do homem em oposição à conceção freudiana, que Lozanov considera pessimista.

A primeira bateria de textos reporta-se à problemática do autoconhecimento; a segunda ao vocabulário do quotidiano de um grupo variado de pessoas, desde o levantar ao deitar (o tempo, as compras, as refeições, as visitas, as viagens, os desejos, as profissões, a ida ao correio, ementas completas de um restaurante, as estações do ano, etc.); a terceira série de textos direciona-se para temas ligados à arte e à cultura do país cuja língua é ensinada (teatro, cinema, pintura, música, etc.); o quarto grupo diz respeito aos temas sobre sentimentos e emoções (o amor, a amizade, o medo, a alegria, etc.) A escolha do vocabulário obedece a critérios de frequência de emprego e da sua utilidade prática, havendo, em cada texto, estruturas lexicais e gramaticais precisas, como por exemplo, o emprego do passado composto na série de textos relativos à arte e a utilização do imperativo pessoal em textos sobre conselhos ou ordens. No ritual de exploração de um texto, que ocorre em cada sessão, o professor lê ou conta uma história que, gradualmente, os participantes vão compreendendo. Seguem-se exercícios de tradução, acompanhados de explicações gramaticais e lexicais e das particularidades, similitudes e diferenças existentes nas línguas materna e estrangeira. A grande utilidade destes exercícios de tradução é, de resto, a comparação entre o funcionamento das duas línguas.


 


Concerto Ativo

Com o texto relativo à lição diante de si, os aprendentes ouvem extratos de música de Bach de modo a atingirem um estado de relaxação psíquica e de máxima concentração. Na parte esquerda da folha, o texto encontra-se na língua materna e, na parte direita, o texto está redigido na língua de aprendizagem. O professor, permanecendo de pé, numa atitude solene, lê o texto da sessão ao ritmo da música. Os estudantes sublinham algumas palavras ou expressões para esclarecimento ou discussão posterior.


Concerto Pseudo-Passivo

À atividade de concerto ativo segue-se uma outra de concerto pseudo-passivo, em que, desta vez, com música de Vivaldi, os participantes são convidados a fecharem os olhos e a ouvirem a música, enquanto, em tom normal, o professor lê o texto do dia. Depois de acabada a leitura, o professor abandona a sala, em silêncio, tendo, entretanto, escrito no quadro que a aula terminou e com a indicação que cada um deve reler o texto em casa, antes de adormecer.


 


O Jogo de Papéis, a Simulação e a Dramatização

Um dos traços mais marcantes da Sugestopedia é, com efeito, o uso sistemático de certos meios, particularmente o jogo de papéis, que facilita, ou é suposto facilitar, a apropriação da estrutura de uma nova língua (Lerède, 1983, p.223).

Depois de ter sido dado vocabulário sobre uma viagem propõe-se, por exemplo, uma situação e jogo de papéis: - Imaginem que as vossas personagens se encontram num aeroporto. O que dizem? Com quem falam? Como passam o tempo até à hora do embarque? Que perguntas fazem? Que respostas obtêm? Segue-se a proposta de uma situação simulada: para adquirir, desenvolver ou aplicar o vocabulário de boa educação e a utilização de fórmulas de cortesia, os participantes imaginam-se personagens que se encontram pela primeira vez, num café, numa empresa, na universidade, no banco, no hospital, etc.

A partir de um conjunto de palavras de utilização mais frequente os participantes escrevem um pequeno parágrafo. Reunidos em grupo, redigem com as frases de cada um, um pequeno texto que passa pela seleção de três ou quatro textos suscetíveis de serem dramatizados. Pode-se, ainda nesta fase, modificar-se em grupo algumas partes do texto produzido.

Após a leitura dos vários textos, pede-se a cada grupo que passe à ação dramática, aquilo que foi criado no papel. Se a tónica era antes colocada na palavra, neste terceiro momento da atividade de os vários participantes concentrarão os seus esforços na comunicação.

Finalmente, os vários grupos apresentam as suas produções, que serão motivo de análise tanto quanto ao conteúdo como à forma escolhida. Pode, eventualmente, após as análises realizadas, em grande grupo, voltar a repetir-se cada dramatização.


Conclusão: Críticas e Limites à Sugestopedia e ao Anti-Método Sugestopédico

Considerado um pouco por todo o mundo como um método revolucionário, com resultados miraculosos, a Sugestopedia foi a abordagem escolhida para o ensino de línguas estrangeiras por companhias de aviação, empresas, empresários, espiões, enfim, todos quantos necessitavam de aprender uma língua em muito pouco tempo e de modo a poderem utilizá-la nas suas lides comerciais, políticas, académicas, investigativas, etc.

Em todos os sítios, onde se viu aplicada, a Sugestopedia proporcionou os melhores resultados. Talvez porque a publicidade à eficácia do método fosse de tal modo difundida e as expectativas fossem demasiado grandes, o método sugestopédico seja alvo de inúmeras críticas que, no entanto, podem ser colocadas a qualquer método de ensino e aprendizagem de uma língua estrangeira: em grupos de doze estudantes, tirando uma ou duas exceções, estes exprimem-se com à vontade, sem timidez ou inibições de qualquer espécie, mas com muitos erros de construção de frases e de gramática e com um sotaque que em, regra geral, é satisfatório. Estes resultados não são decisivos, contrariando um pouco o que alguns tentam vender, tomando os seus desejos por realidades já adquiridas... (Lerède, 1980, pp.244-245).
Surpreendentemente, nas escolas de línguas e universidades, o método sugestopédico ficou à porta, apesar de se ter provado cientificamente ser um método em que se aprende dez vezes mais em dez vezes menos tempo. Acusado pelos professores de manipulação, esoterismo e ausência de rigor científico, mais uma vez as escolas e as instituições universitárias ocuparam a última carruagem do progresso científico, quando deviam ter sido a locomotiva. Mas a razão principal talvez seja a falta de preparação dos professores, cuja formação é ainda muito livresca e desmunida de instrumentos que permitam aos docentes intervir eficazmente no domínio da comunicação. Considerada como uma espécie de estalagem espanhola, em que cada um nela encontra o que traz consigo, os universitários, sentiram-se e sentem-se de mãos a abanar, relativamente a uma abordagem sugestopédica de uma língua estrangeira, talvez porque esta lhes exija uma grande preparação interior e uma disponibilidade total.

Não queremos com isto dizer que não encontremos, no método sugestopédico, incoerências, contradições, coisas incompletas e até situações que representam um certo perigo. O que não podemos aceitar é essa sempiterna resistência das instituições académicas, que, aliás, se podem estender a qualquer outro método não-convencional de ensino e aprendizagem de uma língua estrangeira.

Hoje, o método sugestopédico é muito menos desenvolvido do que nos anos 60, quando foi criado e podemos até considerá-lo ultrapassado por muitas outras abordagens que, entretanto, apareceram, mas muitos dos seus fundamentos mantêm-se atuais, alguns deles adotados por novos modelos, entre eles, o que nós construímos, Método de ComunicAção para o Ensino de Português Língua Estrangeira.

 

Referências Bibliográficas

AGUILAR, Luís (2014). Método de ComunicAção para o Ensino e Aprendizagem de Português Língua Estrangeira.: Montreal: Aguilar Edições.

AGUILAR, Luís (1986). Os Aspetos Psicodramáticos da Expressão/Comunicação no Processo de Ensino-Aprendizagem. Actas de las IV Jornadas de Estudio sobre la Investigación en la Escuela. Sevilla, 165-172.

AGUILAR, Luís (1999). Análise Transacional: Guia para o Autoconhecimento. Lisboa: Fim de Século.

DUFEU, Bernard (1996). Les approches non conventionnelles des langues étrangères. Paris: Hachette.

LERÈDE, Jean (1980). Les troupeaux de l’aurore: mythes, suggestion créatrice et éveil surconscient. Québec: Éditions de Mortagne.

LERÈDE, Jean (1983). Suggérer pour apprendre. Québec: Presses de l’Université du Québec.

LOZANOV, Georgi (1975). The Suggestological Theory of Communication and Instruction. Suggestology and Suggestopaedia. Sofia, Vol 1,3.

LOZANOV, Georgi (1978). The Suggestology and Outlines of Suggestopedy. Philadelphia: Gordon and Breach Science Publishers.

LOZANOV, Georgi (1984). Suggestologie et éléments de suggestopédie. Montréal: Science et cultures.

LOZANOV, Georgi & GATEVA, Evelyna (1988). The Foreign Language Teacher’s Suggestopedic Manual. New York: Gordon and Breach Science Publishers.

SAFÉRIS, Fanny (1978). La révolution dans l’art d’apprendre. Paris: Laffont.

SAFÉRIS, Fanny (1986). La suggestopédie: une révolution dans l’art d’apprendre. Paris: Laffont.

UNESCO (1978). Réunion du Groupe de Travail sur la suggestologie et la suggestopédie, Rapport final. Sofia: Unesco.

WATZLAWICK, Paul (1980). Le langage du changement. Paris: Seuil.