Sítio de Apoio ao Ensino/Aprendizagem de Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas



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TEXTO DA APRESENTAÇÃO DA EXPOSIÇÃO, Potencial Económico da Língua Portuguesa LUÍS AGUILAR

 

Vídeo com depoimentos sobre a exposião de José Cesário, secretário de estado das comunidades portuguesas, Jacinta Amâncio, diretora da Caixa Portuguesa Desjardins e Luís Aguilar, docente do Camões, IP e responsável pelos Estudos Lusófonos da Universidade de Montreal. clicar para visionar

SESSÃO DE ABERTURA DA EXPOSIÇÃO
POTENCIAL ECONÓMICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
POTENTIEL ÉCONOMIQUE DE LA LANUE PORTUGAISE

Reportagem de Vitália Rodrigues

Fotos de Vitália Rodrigues e Miguel Fél
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Os Estudos Portugueses e Lusófonos do Departamento de Literaturas e Línguas Modernas da Universidade de Montreal, com o apoio financeiro e logístico da Caixa Desjardins Portuguesa e a organização e promoção do Festival Portugal Internacional de Montreal, apresentaram, pela primeira vez no Canadá, a exposição bilingue Potencial Económico da Língua Portuguesa / Potentiel économique de la langue portugaise, organizada pelo Camões, Insituto da Cooperação e da Língua, a partir de um estudo desenvolvido por uma equipa de investigadores do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa -, coordenada pelo professor Luís Reto.

A exposição estará presente ao público no edifício da Caixa Desjardins Portuguesa, em Montreal, até 30 de agosto e cuja sessão de abertura teve lugar no dia 3 de junho às 17 horas, na presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, do Embaixador de Portugal no Canadá, José Fernando Moreira da Cunha e do Embaixador de Angola no Canadá, Agostinho Tavares da Silva Neto.

A Exposição Potencial Económico da Língua Portuguesa /Potentiel économique de la langue portugaise contém 17 painéis ilustrados com texto em português e em francês e foi apresentada por Luís Aguilar, responsável pelos Estudos Lusófonos da Universidade de Montreal e docente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua. Destaca-se pela forte componente visual dos cartazes, que permite assim uma mais ampla divulgação deste importante trabalho de pesquisa. Os dados estatísticos mais relevantes são evidenciados com recurso a tabelas, fotografias e outras estratégias de design gráfico. No quadro da missão do Camões IP, esta mostra tem por objetivo reforçar o conhecimento sobrea Língua Portuguesa, e assim contribuir ativamente para a sua valorização e difusão no mundo - pode ler-se no sítio do Camões, IP.
Presidente da Caixa Portuguesa Desjardins,
Emanuel Linhares.

O Presidente da Caixa Portuguesa Desjardins, Emanuel Linhares proferiu as palavras de boas-vindas, realçando que a realização desta exposição foi feita em parceria, expressou a sua convicção de que a cooperação permite grandes realizações, porque a mesma proporciona o desenvolvimento de sinergias, geradoras de uma força positiva, centrada no humano e, neste contexto, capaz de criar riqueza na economia e na sociedade, tendo apelado a todos que, na qualidade de cooperantes, em conjunto, sejam obreiros de um mundo melhor, através da prática cooperativista quotidiana.

Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário.

 

José Cesário, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas referiu o trajeto desta exposição pelo mundo fora, que teve o seu ponto de partida no Parlamento Europeu em Bruxelas, no passado dia 18 de fevereiro. Realçou a necessidade de promover iniciativas e encontros que reforcem esse grandioso projeto que é a Lusofonia e, nesse sentido, saudou a presença do embaixador de Angola.



Embaixador de Portugal no Canadá,
José Fernando Moreira da Cunha.
José Fernando Moreira da Cunha, Embaixador de Portugal no Canadá, expressou o seu apreço por iniciativas como estas que têm um valor acrescentado por terem sido levadas a cabo por diferentes instituições/organizações. Realçou a importância de levar ao conhecimento dos que partilham a língua comum, aspetos que são ainda desconhecidos e de a promover aos estrangeiros e, nesse sentido, saudou a presença do diretor do Departamento de Literaturas e Línguas Modernas da Universidade de Montreal, Juan Carlos Goddenzi. Referiu o seu apreço pela exposição, pois que a mesma, para além do valor económico e potencial do português, apresenta variadas facetas da língua de Camões, viria a salientar, no blogue da embaixada, a excelente intervenção de Luís Aguilar sobre a língua portuguesa.
Embaixador de Angola no Canadá,
Agostinho Tavares da Silva Neto.

 

Agostinho Tavares da Silva Neto, Embaixador de Angola, afirmou a vontade de partilhar este momento de ouro da Língua Portuguesa no espaço da Lusofonia e elogiou o facto da Caixa Portuguesa ter colaborado nesta iniciativa e transformado o seu espaço comercial numa sala de cultura, de exposições.

Luís Aguilar docente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua e professor convidado da Universidade de Montreal.
A Luís Aguilar coube apresentar a exposição, contextualizando os dados expostos sobre a língua de Camões, a última flor do Lácio, a doce e agradável língua, a nossa magna língua portuguesa como uma das quatro línguas mundiais a par do inglês, do espanhol e do francês, falado nos cinco continentes com cerca de 250 milhões de locutores e, citando Fernando Pessoa, uma das poucas línguas potencialmente universais no século XXI. Não fossem as Descobertas Portuguesas e não seria falada por mais de 10 milhões, como o Catalão; assim é uma língua sem sono, pois nela se comunica e se tagarela nos quatro cantos do mundo, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. Segundo os dados recolhidos de mais de 500 línguas por Louis-Jean Calvet, no seu sistema gravitacional, o português é uma língua supercentral na galáxia das línguas do mundo.
Luís Aguilar e Emanuel Linhares.

Luís Aguilar apresenta o embaixador de Portugal, José Fernando Moreira da Cunha a Juan Carlos Goddenzi, diretor do Departamento de Literaturas e de Línguas Modernas da Universidade de Montreal.

Painéis com 71 personalidades lusófonas de projeção global.

Alexandre Norris vereador do Plateau e lusófono de coração.

 

Ler :
Língua portuguesa, recurso fabuloso de
José Ribeiro e Castro in O Público

Porquê língua supercentral? Luís Aguilar explica dando o exemplo da realidade linguística de Angola, onde o português é língua materna de apenas metade da população concentrada nos centros urbanos, distribuindo-se o resto da população por mais de quarenta línguas, sendo o umbundu (36 %), o quimbundo (27 %), o quicongo (10 %) e o quinoco (5%) as mais importantes. Não havendo uma língua central, uma das formas de comunicação e de entendimento entre os vários grupos é feita por meio do português, língua supercentral. A impossibilidade de impor nos territórios das ex-colónias portuguesas uma língua como língua nacional, unificadora, fez com que se tenha favorecido a expansão do português que, cada vez mais, é utilizado, o que representa uma situação ímpar no contexto de África, que só tem paralelo com o contexto gabonês, em relação ao francês. É assim que os angolanos se sentem lusófonos, através do português e ovimbundus, quimbundus e quicongos através das suas respetivas línguas, sem que alguma assegure uma identidade angolana. E cita o escritor angolano José Eduardo Agualusa: Um quarto de século após a independência, o número de falantes de português cresceu de forma impressionante, devendo o português ser hoje a segunda língua materna mais falada em Angola, logo depois do umbundo. Tal fenómeno parece-me verdadeiramente espantoso. Pela primeira vez uma língua de origem europeia conseguiu enraizar-se em África, tornando-se numa língua africana num espaço de tempo muitíssimo curto e por ação dos próprios filhos do país.

Não possuindo dados relativos aos emigrantes de outros países lusófonos, Luís Aguilar considera a Diáspora Portuguesa como o quinto país lusófono (disperso) mais populoso da Lusofonia com cerca de cinco milhões de portugueses e ou luso-descendentes, a quem cabe, igualmente, cuidar da permanência e continuidade da sua língua e integrar o movimento nacional e internacional para a promoção de um dos mais belos idiomas do mundo, fazendo de cada verso uma outra geografia e transformando, enfim, a língua em algo mais que o falar por falar, como o deseja Manuel Alegre e assim o quis Jorge de Sena.

Relativamente às figuras expostas nos painéis 7, 8 e 9 da exposição e dos mais vistos, que expõem as caras da língua portuguesa, Luís Aguilar optou por referir algumas personalidades esquecidas nos quadros e, ironicamente, as que justamente puseram o português na ribalta do universo linguístico, fazendo com que seja falado, hoje, por mais de 250 milhões de pessoas: Marquês de Pombal, Gonçalves Viana, José Apparecido de Oliveira, Eduardo Lourenço e Agostinho da Silva para já não falar de Chico Buarque ou de Sophia de Melo Breyner Andresen.

Finalmente, refere Luís Aguilar que cabe aos cerca de 250 milhões de pessoas que têm para lá da pátria de origem uma pátria comum, que é a da língua portuguesa, desenvolver os seus potenciais e que se cimente um projeto que faça jus à Época de Ouro Cultural de que nos fala Eduardo Lourenço. É neste contexto que sabe bem recordar as palavras de Mari Alkatiri, ex-primeiro-ministro de um dos mais jovens países do mundo, Timor Lorosae: Neste mundo global deve haver um esforço em definir novas fronteiras globais, fronteiras da língua e da cultura. Como meia ilha que é, Timor-Leste ganha com a língua portuguesa essa fronteira global e ampla, que atravessa oceanos e une continentes. Com a língua portuguesa deixamos de nos sentir apenas como esta ilha para nos sentirmos parte deste mundo global.

Preveem-se várias visitas guiadas de estudantes do ensino secundário e superior, assim como visitas guiadas que os Estudos Lusófonos da Universidade de Montreal efetuam regularmente em parceria com a empresa Amarrages sans frontières.

A exposição bilingue Potencial Económico da Língua Portuguesa / Potentiel Économique de la langue portugaise estará exposta na Grande Biblioteca da Universidade de Montreal, a partir de setembro próximo.


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Luís Aguilar com Paula de Vasconcelos uma das mais conceituadas criadoras internacionais do Quebeque, luso-descendente e fundadora do grupo Pigeon International Théatre et Dance.


Os embaixadores de Portugal e de Angola em amena cavaqueira com os promotores da exposição.

O embaixador de Angola comentando, junto de elementos dos Estudos Lusófonos, algumas figuras de proa da língua portuguesa, dois dos mais populares painéis da exposição.



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