Bocage
(1765-1805)
O Iluminado do Pré-Romantismo e da Nova Arcádia:
Eis Bocage em quem luz algum talento


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Biblioteca Nacional

 

Obras de Bocage

Obras de Bocage nas Bibliotecas da Universidade de Montreal:

Opera Omnia
UdeM L.S.H. Cote: PQ 9261 B49 1969
Bocage: a Obra e o Homem
UdeM L.S.H. Cote: PQ 9261 B49 Z623 1980

Em breve Bocage terá uma citação sua num dos bancos do Boulevard Saint Laurent, no que virá a ser o bairro português de Montreal:

Fado amigo não há
nem fado escuro:
Fados são as paixões,
são as vontades
.



Casa onde nasceu Bocage


Como citar esta página:

Aguilar, Luís. Bocage. In Teia Portuguesa. [Em Linha].
http://www.teiaportuguesa.com/literaturabocage.htm
(
Página consultada em 25 de Janeiro de 2008).


Texto, selecção de poemas e organização de conteúdos:
Luís Aguilar


G) Guarda-Marinha Bocage. Pintura de Alberto Cutileiro


Nota
de Cem Escudos

 

Com um pé nos degraus da Arcádia,
com o outro suspenso ante os abismos enigmáticos do futuro,
a sua posição de tão instável,
tão depressa nos comove
como logo nos impacienta

David Mourão Ferreira

Nascido em Setúbal em 1765, poeta pré-romântico de estilo rebelde e satírico, Manuel Maria Barbosa du Bocage é considerado um dos maiores poetas portugueses do século XVIII. Deve o seu nome a mãe de ascendência francesa e desde muito cedo revela talentos literários, balbuciando versos co'a voz da infância. Talento nato gémeo de azar nato porque marcado pela adversidade quando se vê aos dez anos sem a mãe e mesmo que sob a tutela do pai e em contacto com a fina flor da sociedade sadina a melancolia não parecia querer abandoná-lo, encontrando a cura para os seus males de existência na boémia lisboeta, onde leva uma vida desregrada que estende por outras paragens: Índia (Goa e Damão), Brasil e Macau. No seu regresso a Lisboa, em 1790, desata a escrever versos, inspirados em sucessivos desgostos amorosos, primeiro com uma cunhada e depois sabe-se lá de quem. Foi preso ao divulgar o poema Carta a Marília que não agradou à inquisição, em 1797, e quando saíu do Limoeiro foi hóspede do convento dos oratorianos, onde se vergou (?) às convenções religiosas de então, local onde se lavava o cérebro aos que se evaporavam na lida insana. Ainda assim viu divulgados clandestinamente os seus versos eróticos e burlescos.
Elmano Sadino, seu pseudónimo, na Nova Arcádia que, no entanto, criticou contundentemente. As suas obras tiveram várias edições ainda em vida: Rimas, tomo I (1791), Rimas, tomo II (1799) e Rimas, tomo III (1804), tendo traduzido, igualmente autores latinos e franceses.
Bocage que se comparava a Camões nos infortúnios (Camões, grande Camões! quão semelhante acho teu fado ao meu, quando os cotejo!) descrevia-se do seguinte modo:


Auto-retrato

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão de altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;
Devoto incensador de mil deidades
(Digo de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,
Eis Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Bocage


Já Bocage não sou!...

Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura;

Conheço agora já quão vã figura,
Em prosa e verso fez meu louco intento:
Musa!... Tivera algum merecimento
Se um raio da razão seguisse pura.

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... a santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!

Bocage

E Vós, Crédulos, Mortais, Alucinados

Vós, crédulos mortais, alucinados
De sonhos, de quimeras, de aparências
Colheis por uso erradas consequências
Dos acontecimentos desastrados.
Se à perdição correis precipitados
Por cegas, por fogosas, impaciências,
Indo a cair, gritais que são violências
De inexoráveis céus, de negros fados.
Se um celeste poder tirano e duro
Às vezes extorquisse as liberdades,
Que prestava, ó Razão, teu lume puro?
Não forçam corações as divindades,
Fado amigo não há nem fado escuro:
Fados são as paixões, são as vontades.

Bocage

Meu ser evaporei na lida insana

Meu ser evaporei na lida insana
Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel de paixões, que me arrastava;
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava

Em mim quase imortal a essência humana.
De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua orgia dana.

Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.

Deus, oh Deus!... Quando a morte à luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.


Bocage

 

 


 


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