LUSOFONIA: OS NOVOS MUNDOS DO MUNDO
Pesquisa Orientada na Rede
por Luís Aguilar



O que é para mim a Lusofonia?

Lusofonias
por
Kathy Santos
Estudante de Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas da Universidade de Montreal

A Lusofonia, para alguns, limita-se aos oito países que têm a língua portuguesa como língua oficial, enquanto que para outros, abarca todos os povos que tiveram contacto, a uma dada altura, com os Portugueses e que mantêm ainda alguns traços culturais comuns. Certo é, que existem vários pontos de vista e que, ao fim ao cabo, não existe uma resposta certa e única, mas várias perspetivas condicionadas pelas diversas visões que as sustentam, o que nos leva, desde logo, a considerar que se deve, antes do mais, falar-se de lusofonias e não de lusofonia.

Importa aqui saber se a Lusofonia se restringe aos oito países de Língua Portuguesa. O meu lado prático e organizado, quer que haja fronteiras para delimitar facilmente os países que fazem parte ou não da Lusofonia. Mas sendo luso-canadiana, é claro que não posso defender convictamente uma tal perspetiva, pois a minha língua e cultura maternas são portuguesas. Também não podemos esquecer os Portugueses que, como eu, vivem fora de Portugal e que constituem a chamada Diáspora Portuguesa. São cerca de 5 milhões de Portugueses espalhados pelo mundo fora que vivem na Alemanha, em Andorra, na Áustria, na Bélgica, no Canadá, na Croácia, em Espanha, nos Estados Unidos, na Finlândia, em França, na Holanda, na Irlanda, na Itália, no Japão, no Luxemburgo, na Noruega, no Reino Unido, na Roménia, na Tailândia, em Trinidad e Tobago ou na Venezuela. E levaram com eles do país natal a língua, a cultura e muito mais coisas. Muitos emigrantes, mesmo depois de viverem uma vida num país estrangeiro, mal falam a língua porque vivem, trabalham, convivem com portugueses e ainda têm igrejas, escolas, mercados, lojas, clinicas, clubes, restaurantes, tudo à portuguesa.

Por outro lado, tenho mais dificuldade em aceitar as regiões onde portugueses deixaram traços e vestígios culturais, há quinhentos anos atrás, como Goa, Damão, Diu, Macau, Malaca e Sri Lanka, etc. Mas devo dizer que fiquei mais convencida, depois do encontro com o “futuro embaixador do Gabão em Portugal”. O Gabão, um país que eu nem conhecia, tem metade da população que ainda usa um apelido português. E palavras como “copo de vinho”, “sapato” ou “mesa”, fazem parte do léxico de algumas das línguas do país.

A Língua Portuguesa é, quanto a mim, o primeiro passo para a consolidação e afirmação do espaço da Lusofonia entendida como uma comunidade histórica, cultural e linguística. Mas como a língua é inseparável da cultura e é a língua que mais marca as comunidades com as quais teve contacto, é ela que melhor define a palavra Lusofonia. Uma prova é que a língua portuguesa é a razão da união das comunidades e países que partilham traços históricos e patrimoniais.

Para mim, a palavra Lusofonia designa uma comunidade linguística ou uma comunidade de indivíduos que têm em comum a língua portuguesa e que, através dela, partilham aspetos culturais comuns.


Montreal, abril de2005