LUSOFONIA: OS NOVOS MUNDOS DO MUNDO
Pesquisa Orientada na Rede
por Luís Aguilar



O que é para mim a Lusofonia?

Para mim a Lusofonia é...
por
Cidália Silva
Estudante de Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas da Universidade de Montreal

 

Abri a porta, saí... Digo bom dia ao vizinho que é marroquino, cruzo um casal de japoneses, entro na loja para comprar uma lotaria, troco algumas palavras com os proprie- tários que vêm da India. Ao longe vejo o Artur que é Angolano falando com o meu irmão, lembro-me que devo telefonar à minha amiga vietnamita para irmos ver a reportagem sobre o movimento dos Sem Terra, da qual nous falou a Bia que vem de S. Paulo, Brazil. Pela tardinha entro num café, no ar ouve-se a voz de Cesária, a diva aos pés descalços originária de Cabo Verde, cantando Mar Azul. Sentado numa mesa, à minha espera, está Mukunthan, um amigo sirilanquês, que saboreando um bom cafézinho, me vai informando sobre a influência da Língua Portuguesa na sua língua materna, o Tamul...

Eis pois a Lusofonia.

Claro que o conceito de Lusofonia se pode inserir num espaço físico que representaria então a rota percorrida pelos grandes descobridores que marcaram a história de Portugal, sobretudo a do século XV. Tratando-se destas terras longinquas onde os Portugueses puseram o pé deixando vestígios da sua presença nos quatro cantos do Mundo, como é o caso no Sri Lanka, antigo Ceilão, onde certas danças e cantigas representam [ainda] uma sobrevivência musical à viva voz da cultura portuguesa implantada em África e na Ásia nos séculos XVI e XVII (1) e como este existem muitos outros tais como a Malásia, a Tailanda, o Japão, o Brasil, Porto Rico e vários países de África como Angola Moçambique, Benin...

Pode-se ainda definir a Lusofonia como organisação que reúne todos os países de expressão Portuguesa. Tais como a CPLP ou a PALOP. A primeira reúne os oito países de Lingua Oficial Portuguesa, sendo estes: Angola Brasil, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Principe, Portugal e o mais recente país, Timor Lorosae. com objectivos de desenvolvimento político, económico e social baseados no respeito dos valores humanos e da soberania de cada répública e na promoção da Lingua Portuguesa (2), sendo esta o único denominador comum dos oito países lusófonos.

A segunda organização mencionada mais acima, reúne todos os países africanos de Língua Oficial Portuguesa. Tendo em conta o baixo poder éconómico e político da maioria dos países ditos lusófonos, a sua única força é a Língua, símbolo de união nesta grande família Lusa, onde devemos excluir as guerras de capoeira existentes entre estas diferentes instituções que prejudica a credibilidade e o desenvolvimento daquilo a que chamamos presentemente a Lusofonia.

No entanto, a Lusofonia para mim ultrapassa o universo idiomático e engloba não só os países de Língua Oficial Portuguesa através do Mundo, como todas as marcas da Lusofonia deixadas pelo tempo fora, não pelos grandes nomes da História, mas também pelos milhões de emigrantes portugueses ( tratando-se de Lusofonia, deveria dizer emigrantes lusófonos) que se estabeleceram nos quatro cantos do mundo na esperança de aí construíram uma vida melhor. Os quais contribuiram e continuam a cintribuir ao desenvolvimento e promoção da Língua e culturas lusófonas, fora das fronteiras do seu país natal.

A Lusofonia retrata-se assim nas marcas de portugalidade inseridas noutras culturas, assim como nas tradições que sobreviveram através dos tempos, nas palavras adoptadas e por vezes adaptadas a outras línguas, tais como mesa em Tamul, aligato em Japonês... A Lusofonia é uma canção escutada em Língua Portuguesa no Japão, é um chouriço vendido numa loja estrangeira, são as vitrines do Main no boulevard St-Laurent, é o Pézinho de dança no Brasil... A Lusofonia é Portugal no Mundo ou o Mundo à portuguesa.

A Lusofonia é talvez uma ilusão, mas reais e bem concretos são os vestígios da presença portuguesa no Mundo. Vestígios de uma ilusão, de um sonho que levou Portugal à descoberta de outros Mundos. Ela não é nem pode ser comparável à Francofonia, nem à Commonwealt quer seja a nível político ou económico. O seu único poder e marca de união é a Língua Lusa. Quem sabe se esta ilusão, este sonho de criar uma entidade, pelo menos simbólica da Lusofonia, não representa o início do que muitos chamam o Quinto Império, ou simplesmente o inicio de uma reafirmação de Portugal a nivel international?

Montreal, 19 de janeiro de 2004

(1) JAC?SON,D. (1998) Cantigas do Ceilão, Sri Lanka: a viagem dos sons, edição Tradisom, p.10
(2)-CPLP : Comunidade dos países de Lingua Portuguesa [em linha] http://www.cplp.org/ (pág. Consultatda no dia 12 de Abril de 2004)