LUSOFONIA: OS NOVOS MUNDOS DO MUNDO
Pesquisa Orientada na Rede
por Luís Aguilar



O que é para mim a Lusofonia?

A Lusofonia, um Meio de Desenvolvimento Sócio-Ecomómico-Cultural
por
Belmira Perpétua
Estudante de Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas da Universidade de Montreal

O mundo lusófono faz referência a oito países de língua oficial portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Podem também ser incluídas certas regiões descobertas pelos Portugueses em que, ainda hoje têm um apego à língua e cultura portuguesas: Goa, Damão, Diu e Macau, para já não falar do Gabão, do Benim ou do Sri Lanca (antigo Ceilão). Não podemos, numa outra perspectiva, esquecer-nos das numerosas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e dois espaços distintos, Galiza e Olivença, que podem, legitimamente, integrar o mundo lusófono.

A impressão com que fico da Lusofonia, após a Pesquisa Orientada na Rede (Web Quests) que estou a realizar, é a de que se trata de um conceito confuso e difuso que não dispõe de uma definição precisa, sendo muitos os que procuram, quantas vezes em plena contradição, defini-la. A prová-lo a proliferação de tentativas de redefini-la permanentemente. E, no entanto, todos parecem saber o que deveria ser a Lusofonia, só falta pô-la em acção.

A Lusofonia possui duas instituições intergovernementais através das quais pode desenvolver-se e concentrar os esforços da comunidade lusófona num sentido com o qual todos os actores concordam e que daria resultados políticos, económicos e sociais tangíveis. A primeira, a CPLP, ou seja a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, é a que deveria assumir a responsabilidade de coordenar as actividades da Lusofonia e dar-lhe os meios para realizar as suas ambições :

1) a concertação política e diplomática entre os membros em matéria de relações internacionais, principalmente com o objectivo de afirmação da sua presença (da CPLP) em congressos internacionais;
2) a cooperação, com especial incidência, nos sectores económico, social, cultural, jurídico, técnico e científico;
3) a consecução de projectos que visem a promoção e difuão da Língua Portuguesa.(1)

Quanto à segunda, os PALOP, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, penso que é uma duplicação, variação africana da primeira, que não tem razão de ser, porque os seus membros são também membros da CPLP. Além disso, a Lusofonia deveria seguir o exemplo da Francofonia e da Commonwealth e instituir um secretariado central que melhoraria a comunicação entre os membros e entre eles e outros actores.

A Lusofonia é um projecto baseado essencialmente num denominador comum a todos os actores: a língua portuguesa. Mas também é uma questão de desenvolvimento económico e de estratégia geopolítica. É enquanto projecto de geostratégia socio-economico-política que a Lusofonia tem a sua primordial razão de ser, para realização própria de todos os Países e Povos Lusófonos como contributo para a realização do “Fenómeno Humano” universal(2). É este aspecto da lusofonia que mais me atrai, já que a lusofonia tem um excelente potencial de ajuda ao desenvolvimento dos países lusófonos sem cair em tentações neocolonialistas... Se os principais interessados deixassem as briguinhas, se envolvessem seriamente no desenvolvimento do espaço lusófono e dessem, enfim, oportunidade à língua portuguesa de ser uma das poucas línguas potencialmente universais do século XXI como o previa Fernando Pessoa, outro galo cantaria.

A Lusofonia pode ser o instrumento susceptível de fazer com que o mundo dê mais importância aos vários actores lusófonos. A cooperação entre os actores do espaço lusófono terá de ser muito mais que as meras figuras de retórica escritas a água e sal num pedaço de papel no canto de uma toalha de mesa. E essa cooperação começaria, desde logo, por ser gizada em Português. A Lusofonia e os seus membros mais influentes como o são, inequivocamente, Portugal e o Brasil, não deveriam permitir, sob quaisquer pretextos, que uma das línguas mais faladas do mundo seja constantemente reduzida ao lugar e papel de uma língua insignificante(3). A cooperação a nível político e económico rumo ao desenvolvimento frutuoso de cada um dos membros da Lusofonia só será possível se o mundo lusófono começar pela defesa da sua própria língua.

Montreal, 29 de janeiro de 2004

Referências Bibliográficas:
(1)Jacques Leclerc, « Portugal » dans L’aménagement linguistique dans le monde [En ligne]. http://www.tlfq.ulaval.ca/axl/europe/portugal.htm (Page consultée le 14 janvier 2004)
(2)Fernando dos Santos Neves, « Lusofonia não é só a língua e a literatura » dans Ciberdúvidas [En ligne]. http://ciberduvidas.sapo.pt/php/portugues.php?id=34 (Page consultée le 29 janvier 2004)
(3) Ibid.