A N G O L A
(República Democrática de Angola)
por


Yuri de Barros Aires

Elizera Teixeira João


(Pesquisa na Rede e Texto)



Vitália Rodrigues

(Concepçã, pesquisa e Texto)
Estudantes do Mineur en Langue portugaise et cultures lusophones
na Universidade de Montreal, Canadá

 

 

 

 

Superfície: 1 246 700 km²
População: 11 190 786
Densidade: 9.20 hab./ km²
Capital: Luanda
Línguas Oficial: Português
Religiões: Catolicismo55%
Animismo 45%
Moeda: Kwanza

Propomo-vos uma viagem virtual à décima oitava província de Angola, o enclave de Cabinda, situado na África central, sete vezes maior do que São Tomé e Príncipe, duas vezes maior do que Cabo-verde e doze vezes menor do que Portugal, com uma costa de 90km a Oeste (Oceano Atlântico) e com fronteira, ao Norte com o Congo e a Este e a Sul com a República Democrática do Congo. O enclave de Cabinda dista 60 Km do território angolano.

Os Pioneiros

Ao arribar na foz do rio Congo (ou Zaire) em 1482, o navegador português Diogo Cão e a sua tripulação foram os primeiros europeus a chegarem ao que é hoje o antigo território do Reino. Como Portugal estava em plena campanha de descobertas, o navegador pioneiro erigiu o padrão português em nome do rei D. João II, numa das margens do rio, e assim tal monumento atestou o primeiro reconhecimento europeu da existência do reino do Congo. A capital deste reino histórico ainda existe : é Mbanza Congo, e está situada ao norte de Angola.

Contudo, Diogo Cão não estava numa missão turística. A comodidade em voga no velho continente eram as especiarias, e a responsabilidade do navegador português era de estabelecer um porto marítimo, a fim de assegurar o abastecimento dos navios da coroa portuguesa em direcção à Índia. Portanto, ao cumprir a sua missão, ele encontrou-se com o Mani Kongo, ou seja, o rei do reino do Congo. Este, ao receber os portugueses de braços abertos, foi convertido ao cristianismo, baptizado Afonso I, e assim tornou-se supostamente no primeiro cristão angolano. Portanto, a correspondência entre o Mani Kongo e o rei de Portugal indica que este primeiro contacto realizou-se entre regentes homólogos, com direitos iguais. Ademais, a «recém-descoberta» sociedade africana mostrou-se disposta ao convívio com os recém-chegados europeus, e ao funcionamento de uma verdadeira entre estados organizados.

O Início da Colonização.

Após a morte de D. Joâo II em 1495, a paixão pelas descobertas foi tragada pela gula do poder. Assim, ao longo século XVI, os portugueses acentuaram os laços de dependência do reino do Congo à Coroa Portuguesa, e realçaram os seus interesses comerciais. Logo, aos 20 de Fevereiro de 1975, Paulo Dias de Novais, acompanhado de 400 soldados e de cem famílias de colonos a procura de prata, chegaram à restinga de Luanda (então Loanda). Um ano mais tarde, fundaram a colónia de São Paulo (hoje a cidade de Luanda) na costa, ao lado da ilha. Esta veio a ser o porto para os negreiros destinados ao Brasil, e também o ponto de partida para as guerras do «Kwata, kwata!», que eram as expedições para a captura de africanos para a escravatura.

Contraditoriamente, ao paço que aumentavam as revoltas contra comércio de escravos por parte de sobados independentes e dos estados do planalto, uma elite económica de origem africana firmava-se graças a este mesmo comércio.

Donde Vem «Angola»?

Ora, para além do reino do Congo, havia outros reinos menores e dependentes mais a sul, tais como o da Matamba e o do Ndongo. Aliados ao reino maior, estes reinos opuseram-se à penetração colonial por vinte anos, sendo somente derrotados em 1665, em 1671 e em 1681, o reino do Congo, do Ndongo e da Matamba respectivamente. Os soberanos destes reinos eram chamados de Ngola, e é deste título donde provem o nome de Angola.

A formação de Angola

Finalmente, no século XIX, empreendeu-se as grandes explorações ao interior do continente africano, e graças à tais, Serpa Pinto, Capelo e Ivens contribuíram à uma nova cartografia angolana. Consequentemente, as potências europeias iniciaram a partilha colonial do continente africano e a demarcação das suas colónias, cujo apogeu manifestou-se na Conferência de Berlim, em 1885. Assim, após estabelecido o direito público colonial, Portugal, a França, o Estado Livre do Congo (Belga), a Grã-Bretanha e a Alemanha definiram as fronteiras actuais de Angola. O território sob domínio português foi dividido ao Norte por um pedaço de terra reclamado pela Coroa Belga, para que o seu suposto Estado Livre do Congo tivesse acesso ao oceano Atlântico. Desta feita, território de Cabinda foi separado do resto de Angola, e mais tarde tornou-se seu exclave (em vez de enclave) provincial.

A nova Angola

Após a Revolução dos Cravos, Portugal começou a negociar com os movimentos angolanos de libertação um processo de paz e independência para Angola. Contudo, o conflito entre os movimentos aumentava e, após o êxodo dos portugueses de Angola, Portugal entregou a independência de Angola ao povo angolano. Então, aos 11 de Novembro de 1975, Agostinho Neto, presidente do movimento MPLA, finalmente proclamou a independência do país.

Hoje, o Português mantém-se a língua oficial de Angola, e é para muitos angolanos até mesmo a língua materna. Sendo maior país lusófono de Africa, fazendo parte dos PALOPS, e o segundo maior país da CPLP, Angola é sem sombra de dúvidas um membro activo na defesa da lusofonia. Mas apesar de ser maior e independente, ainda tem de dar ouvidos à polémica do território lusófono mais perto de si: Cabinda.

 

Convidamo-lo(a), pois, a visitar a rica província de Cabinda em recursos naturais, sobretudo petróleo, que contribui com cerca de 60% para o orçamento do Estado de Angola. Além do petróleo Cabinda é rica em diamantes, fosfato, magnésio, café, cacau, madeira, encontrando-se esta em Maiombe, a segunda maior floresta do mundo, depois da Amazónia, no Brasil. Em Mayombe podem encontrar-se borboletas, papagaios, gorilas, entre outros.


diamantes e petóoleo


café e cacau


Floresta de Maiombe

Cabinda


Praia em Kakongo


Igreja na cidade de Cabinda


Neste lugar de SIMULAMBUCO
foi assinado em 1 de Fevereiro de 1885
o Tratado que integrou o território de
CABINDA na nação Portuguesa


Bandeira da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (F.L.E.C.)

Diogo Cão foi o primeiro navegador europeu a chegar a Cabinda e a estabelecer contactos comerciais com os Ntotila (Rei) locais do reino do Congo, onde deixou uma inscrição e as armas de Portugal. Recebido com pompa e circunstância pelo Ntotila de Mbanza Kongo que quis tornar-se cristão e manifestou o desejo de estabelecer relações comerciais com Portugal.Portugal invocou por diversas vezes ao longo dos séculos o seu direito histórico à posse dos territórios de Cabinda, tendo expulsado e destruído, em 1723, o fortim de corsários ingleses com a ajuda do Rei de Ngoyo. Em 1784, foi a vez dos franceses atacarem os portugueses da fortaleza de Santa Maria de Cabinda, mas em 1786 reconheceram oficialmente a soberania portuguesa sobre a costa de Cabinda.

O Marquês de Pombal, perante a impossibilidade da manutenção do monopólio do comércio que até aí vinha detendo decretou, em 1758, Livre e Franco o comércio com o Congo.
No dia 1 de Fevereiro de 1885 o reino de Ngoyo assinou com o reino de Portugal o Tratado de Simulambuco (texto manuscrito), com o objectivo de colocar Cabinda sobre protectorado português e protegê-la da invasão do reino belga. Meses depois viria a celebrar-se a Conferencia de Berlim onde os europeus dividiram África às fatias como muito bem quiseram ou puderam. Na sequência desta conferência e cedendo aos caprichos de Leopoldo II da Bélgica Cabinda viria a separar-se de Angola, através de uma faixa de 60 Km por onde o protectorado belga do Congo acederia ao Oceano Atlântico.

Já no século XX, em 1956, Salazar decidiu reunir, a fim de reduzir os custos administrativos Angola e Cabinda que, desde então, passaram a ter o mesmo governador e hoje, contra a vontade de muitos cabindenses pertencem à mesma nação: República de Angola.Depoios da Revolução dos Cravos em Portugal, em 25 de Abril de 1974, e no seguimento dos processos de descolonização, em 1975, data de independência de Angola, Cabinda passou a ser uma das 18 províncias do novo país independente, ainda que com a oposição da Flec-Flac que critica Portugal por não lhe ter sido permitida a sua presença nos acordos de Alvor e Bicesse. Ainda hoje há conflitos entre o governo de Angola com os líderes de Cabinda que reclamam a autonomia total de Cabinda.

A idiossincrática História de Cabinda justifica o conhecimento de algumas das suas personagens mais relevantes. Cabinda tem um aeroporto nacional, e um porto marítimo que precisa de alguns investimentos para se tornar num dos maiores do país e assim ser rentabilizado. As ligações aéreas são asseguradas pelas companhias nacionais públicas, TAAG, SAL, SONAIR, e privadas. As principais indústrias cabindenses são as cervejeira, matalomecânica, alumínios e construção civil, sendo de se lhe tirar o chapéu à sua rede comercial, nomeadamente pelos postos mercantis ao longo das fronteiras com os vizinhos Congos.

O conjunto contrastante praias e florestas cabindenses são, por si mesmas, motivo de grande atracção turística . Para além disso e com o fim da guerra civil em Angola, o governo tem incentivado estrangeiros a investir em Cabinda, favorecendo o turismo na província.

O Museu de Cabinda é um dos maiores centros de pesquisa e recolha da tradição oral cabindense. E não se pode falar da história dessa região sem se falar também dos Bakamas, um grupo ritual tradicional que possibilita a interacção entre o povo vivente e os espíritos ocultos dos deuses e dos antepassados, assegurando, desta forma, a reconciliação entre os mortos e os vivos.Na capital fala-se Ibinda, no centro, o Ilinge e no Norte (Mayombe, entre os municípios de Buco-Zau e Belize), o Quiombe.

São muitos os portugueses que decidiram permanecer em Cabinda. Não faltam personalidades ímpares e protagonistas de relevo no campo da cultura cabindense.

Faça uma pausa nesta sua viagem virtual a Cabinda e aproveite para ler o jornal Ibinda, vespertino cabindense. Caso prefira pode folhear a revista



Fotos de Cabinda


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